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M’bae Guasu Guarani
Tipo de projeto
Retrato, Contra-monumento
Data
Julho de 2025
Local
Cuiabá
Pensada como vitral por mim, essa obra é um contra-monumento que fez parte da proposta de intervenção museal “A chegada do Governante”, criada por mim e pelo querido Fred Gustavo para a disciplina de Antropologia, Museus e Coleções do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Ao longo do semestre fomos atravessados pelo afeto do incômodo durante as aulas de campo, nas quais visitamos museus da capital. Em especial, fomos atravessados pelo vitral do Museu Residência dos Governadores. Uma ode aos Bandeirantes, o vitral retrata bandeirantes avançando; e os seguindo obedientemente, dóceis indígenas carregam sacos cheios.
Fred consegue explicar melhor do que eu sobre a intervenção museal. Por isso, foco aqui na criação vitral contra-monumento feita por mim.
Meu avô, Romualdo Acosta, foi mordomo da residência de 1962 até 1986, quando a casa virou museu. Depois disso, seguiu sendo mordomo para os governadores do estado até sua aposentadoria em 1995.
Vovô era guarani. Nasceu em Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, filho de indígenas vindos do Paraguai. Havia uma comunidade de indígenas na cidade, e a comunidade falava guarani entre si; língua materna de vovô.
Ao visitar o museu, fui atravessada por afetos e o vitral me causou profunda reflexão. Pensei em meu avô, homem indígena que observava aquele vitral diariamente. Vovô faleceu há alguns anos. Por isso, só posso fabular sobre o que ele sentia ao ver o vitral que, para mim, é uma prática violenta e colonial.
Em tradução livre, “M’bae Guasu Guarani” significa “orgulho do povo guarani”. Assim como no antigo vitral, em “M’bae Guasu Guarani” é narrada a chegada de alguém pelo rio Cuiabá. Meu avô é mostrado às margens do Cuiabá, envolto pela flora local. Ele avança, mas seus olhos estão à esquerda, local onde no vitral antigo estão retratados indígenas.
Pensar o novo vitral me atravessou de muitas formas, e fiquei muito satisfeita com o que foi criado. Esse processo não seria possível sem o apoio do maravilhoso Fred, meu colega e amigo. Também gostaria de agradecer o querido professor Ryanddre Sampaio , que generosamente me ensina desde o ano passado e é parte essencial em meu caminho de artista-pesquisadora.









